{"id":54854,"date":"2018-01-17T14:33:28","date_gmt":"2018-01-17T16:33:28","guid":{"rendered":"http:\/\/hostgator.cfa.org.br\/cramodelo\/?page_id=54854"},"modified":"2019-02-07T09:46:45","modified_gmt":"2019-02-07T11:46:45","slug":"administracao-historia-da-profissao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/crarn.org.br\/?page_id=54854","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da profiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"54854\" class=\"elementor elementor-54854 elementor-bc-flex-widget\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-40798a7 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"40798a7\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-07a87d4\" data-id=\"07a87d4\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f53c276 elementor-widget elementor-widget-spacer\" data-id=\"f53c276\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"spacer.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-spacer\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-spacer-inner\"><\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-dfbcf98 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"dfbcf98\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-5e01a6d\" data-id=\"5e01a6d\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ea8f408 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ea8f408\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Os cursos de Administra\u00e7\u00e3o no Brasil t\u00eam uma hist\u00f3ria muito curta, principalmente se comparamos com os EUA, onde os primeiros cursos na \u00e1rea se iniciaram no final do s\u00e9culo XIX, com a cria\u00e7\u00e3o da Wharton School, em 1881. Em 1952, ano em que se iniciava o ensino de Administra\u00e7\u00e3o no Brasil, os EUA j\u00e1 formavam em torno de 50 mil bachar\u00e9is, 4 mil mestres e cem doutores por ano, em Administra\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>O Ensino da Administra\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong><\/p><p>Historicamente, o ensino de Administra\u00e7\u00e3o no Brasil passou por dois momentos marcados pelo curr\u00edculos m\u00ednimos aprovados em 1966 e 1993, culminando com a apresenta\u00e7\u00e3o da proposta de diretrizes curriculares para os cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o elaboradas pelos autores em 1998, quando eram membros da Comiss\u00e3o de Especialistas de Ensino de Administra\u00e7\u00e3o da SESu\/MEC.<\/p><p><strong>Surgimento e reconhecimento da profiss\u00e3o do Administrador<\/strong><\/p><p>Os cursos de Administra\u00e7\u00e3o no Brasil t\u00eam uma hist\u00f3ria muito curta, principalmente se comparamos com os EUA, onde os primeiros cursos na \u00e1rea se iniciaram no final do s\u00e9culo XIX, com a cria\u00e7\u00e3o da Wharton School, em 1881. Em 1952, ano em que se iniciava o ensino de Administra\u00e7\u00e3o no Brasil, os EUA j\u00e1 formavam em torno de 50 mil bachar\u00e9is, 4 mil mestres e cem doutores por ano, em Administra\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A evolu\u00e7\u00e3o de tais cursos se apresenta como uma faceta do desenvolvimento do esp\u00edrito modernizante. \u00c9 neste sentido, isto \u00e9, na mudan\u00e7a e desenvolvimento da forma\u00e7\u00e3o social brasileira, que devemos buscar as condi\u00e7\u00f5es e as motiva\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o desses cursos. Para Covre , tais motiva\u00e7\u00f5es est\u00e3o relacionadas com o car\u00e1ter de especializa\u00e7\u00e3o e uso crescente da t\u00e9cnica, tornando imprescind\u00edvel a presen\u00e7a de profissionais para as diferentes fun\u00e7\u00f5es de controlar, analisar e planejar as atividades empresariais.<\/p><p>O contexto para a forma\u00e7\u00e3o do Administrador no Brasil come\u00e7ou a ganhar contornos mais claros na d\u00e9cada de quarenta. A partir desse per\u00edodo, acentua-se a necessidade de m\u00e3o-de-obra qualificada e, conseq\u00fcentemente, da profissionaliza\u00e7\u00e3o do Ensino de Administra\u00e7\u00e3o. O autor ressalta a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o de pessoal especializado para a planifica\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as, assim como da cria\u00e7\u00e3o de centros de investiga\u00e7\u00e3o para dar suporte a quest\u00f5es econ\u00f4micas e administrativas, em uma sociedade que passava de um est\u00e1gio agr\u00e1rio para a industrializa\u00e7\u00e3o .<\/p><p>Segundo essa vis\u00e3o, tratava-se de formar, a partir do sistema escolar, um Administrador profissional, apto para atender ao processo de industrializa\u00e7\u00e3o. Tal processo desenvolveu-se de forma gradativa, desde a d\u00e9cada de 30, por\u00e9m, acentuou-se por ocasi\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, ocorrida na metade dos anos sessenta, atrav\u00e9s da Lei n\u00ba 4.769, de 09 de setembro de 1965. Com essa Lei, o acesso ao mercado profissional seria privativo dos portadores de t\u00edtulos expedidos pelo sistema universit\u00e1rio.<\/p><p>O Ensino de Administra\u00e7\u00e3o veio privilegiar a participa\u00e7\u00e3o das grandes unidades produtivas, que passaram a constituir um elemento fundamental na economia do pa\u00eds, principalmente a partir de 1964.<\/p><p>A grande preocupa\u00e7\u00e3o com os assuntos econ\u00f4micos teve seu marco em 1943. Naquele ano, realizou-se, no Rio de Janeiro, o primeiro Congresso Brasileiro de Economia, no qual se manifestou grande interesse pela industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, postulando-se iniciativas concretas por parte do Estado para motivar a pesquisa em assuntos econ\u00f4micos. Por\u00e9m, tais estudos vinham sendo realizados basicamente nos cursos de Direito na disciplina de economia, vista como de &#8220;forma\u00e7\u00e3o geral&#8221; .<\/p><p>Somente em 1945 surgiram os primeiros resultados quanto \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o desse ensino. Nesse ano, Gustavo Capanema, Ministro da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, encaminhou \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica um documento que propunha a cria\u00e7\u00e3o de dois cursos universit\u00e1rios: Ci\u00eancias Cont\u00e1beis e Ci\u00eancias Econ\u00f4micas. O documento afirmava que as atividades de dire\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o, tanto nos neg\u00f3cios p\u00fablicos como nos empresariais, haviam atingido um n\u00edvel de maior complexidade, exigindo de seus administradores e t\u00e9cnicos conhecimentos especializados. Isso possibilitou que os cursos de economia passassem a ter um car\u00e1ter de especializa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o mais de natureza gen\u00e9rica, como anteriormente.<\/p><p>A cria\u00e7\u00e3o desses cursos assume um papel relevante, por ampliar a organiza\u00e7\u00e3o escolar do pa\u00eds que, at\u00e9 ent\u00e3o, constitu\u00eda-se apenas de engenheiros, m\u00e9dicos e advogados.<\/p><p>Nesse sentido, \u00e9 significativo considerar a import\u00e2ncia do Manifesto dos &#8220;Pioneiros da Educa\u00e7\u00e3o Nova&#8221; que, em 1932, abordava a necessidade de outros cursos universit\u00e1rios, al\u00e9m dos j\u00e1 mencionados .<\/p><p>O ensino de Administra\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionado ao processo de desenvolvimento do pa\u00eds. Esse processo foi marcado por dois momentos hist\u00f3ricos distintos. O primeiro, pelos governos de Get\u00falio Vargas, representativos do projeto &#8220;aut\u00f4nomo&#8221;, de car\u00e1ter nacionalista. O segundo, pelo governo de Juscelino Kubitschek, evidenciado pelo projeto de desenvolvimento associado e caracterizado pelo tipo de abertura econ\u00f4mica de car\u00e1ter internacionalista. Este \u00faltimo apresentou-se como um ensaio do modelo de desenvolvimento adotado ap\u00f3s 1964. Nesse per\u00edodo, o processo de industrializa\u00e7\u00e3o se acentuou, sobretudo devido \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de tecnologia norte-americana.<\/p><p>O surto de ensino superior, e em especial o de Administra\u00e7\u00e3o, \u00e9 fruto da rela\u00e7\u00e3o que existe, de forma org\u00e2nica, entre essa expans\u00e3o e o tipo de desenvolvimento econ\u00f4mico adotado ap\u00f3s 1964, calcado na tend\u00eancia para a grande empresa. Nesse contexto, tais empresas, equipadas com tecnologia complexa e com um crescente grau de burocratiza\u00e7\u00e3o, passam a requerer m\u00e3o-de-obra de n\u00edvel superior para lidar com essa realidade.<\/p><p>O surgimento da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) e a cria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Economia e Administra\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) marcaram o ensino e a pesquisa de temas econ\u00f4micos e administrativos no Brasil, contribuindo para o processo de desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds .<\/p><p>Tais institui\u00e7\u00f5es ocuparam uma posi\u00e7\u00e3o dominante no campo das institui\u00e7\u00f5es de ensino de Administra\u00e7\u00e3o, assim como de refer\u00eancia do posterior desenvolvimento desses cursos.<\/p><p>\u00c9 importante considerar que a id\u00e9ia dos fundadores dessas institui\u00e7\u00f5es era criar um novo tipo de intelectual, dotado de uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica capaz de revestir suas a\u00e7\u00f5es de conhecimentos especializadas, como uma estrat\u00e9gia indispens\u00e1vel ao prosseguimento das transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas iniciadas em meados dos anos trinta.<\/p><p>Tratava-se, para Martins de formar, a partir do sistema escolar, o &#8220;administrador profissional&#8221; . Esse processo se intensificaria no momento da regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o ocorrida na metade dos anos sessenta (1965), quando o acesso ao mercado profissional seria restrito aos portadores de t\u00edtulos universit\u00e1rios.<\/p><p>A FGV representa a primeira e mais importante institui\u00e7\u00e3o que desenvolveu o ensino de Administra\u00e7\u00e3o. Sua origem remonta \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Departamento de Administra\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o P\u00fablico (DASP), em 1938. Esse \u00f3rg\u00e3o tinha como finalidade estabelecer um padr\u00e3o de efici\u00eancia no servi\u00e7o p\u00fablico federal e criar canais mais democr\u00e1ticos para o recrutamento de Recursos Humanos para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, por meio de concursos de admiss\u00e3o .<\/p><p>A id\u00e9ia da cria\u00e7\u00e3o da nova Institui\u00e7\u00e3o foi bem acolhida pelo ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica, Get\u00falio Vargas, que autorizou o DASP a promover a abertura de uma entidade voltada ao estudo de princ\u00edpios e m\u00e9todos da organiza\u00e7\u00e3o racional do trabalho, visando a prepara\u00e7\u00e3o de pessoal qualificado para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e privada. A institui\u00e7\u00e3o surgiu por meio do Decreto n\u00ba 6.933, pr\u00f3xima ao p\u00f3lo dominante dos campos do poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico.<\/p><p>Foi na FGV que surgiram os primeiros institutos de investiga\u00e7\u00e3o sobre assuntos econ\u00f4micos do pa\u00eds, com prop\u00f3sito de fornecer resultados para as atividades dos setores estatal e privado.<\/p><p>A cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas ocorreu em um momento em que o ensino superior brasileiro deslocava-se de uma tend\u00eancia europ\u00e9ia para uma tend\u00eancia norte-americana. Isto \u00e9 evidente, uma vez que a FGV tem apresentado um v\u00ednculo entre seus organizadores e o ensino universit\u00e1rio norte-americano, de onde proveio a inspira\u00e7\u00e3o para estrutur\u00e1-la em termos de funda\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Martins comenta ainda que o objetivo da Funda\u00e7\u00e3o era formar especialistas para atender ao setor produtivo, tomando-se como inspira\u00e7\u00e3o as experi\u00eancias norte-americanas. Em 1948, representantes dessa Institui\u00e7\u00e3o visitaram vinte e cinco Universidades americanas que mantinham cursos de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, com intuito de conhecer diferentes formas de organiza\u00e7\u00e3o. Isto favoreceu a realiza\u00e7\u00e3o de encontros entre representantes da FGV e professores norte-americanos visando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma escola voltada ao treinamento de especialistas em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica .<\/p><p>Como fruto dessas rela\u00e7\u00f5es, foi criada, em 1952, a Escola Brasileira de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (EBAP), pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, com o apoio da ONU e da UNESCO para a manuten\u00e7\u00e3o inicial. O conv\u00eanio com esses organismos internacionais previa a manuten\u00e7\u00e3o de professores estrangeiros na escola e bolsas de estudo para o aperfei\u00e7oamento dos futuros docentes no exterior.<\/p><p>Com o surgimento da EBAP no Rio de Janeiro, a FGV preocupou-se em criar uma escola destinada especificamente \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de Administradores de Empresas, vinculada ao mundo empresarial, com o objetivo de formar especialistas em t\u00e9cnicas modernas de administra\u00e7\u00e3o empresarial .<\/p><p>Essa situa\u00e7\u00e3o possibilitou a cria\u00e7\u00e3o da Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas de S\u00e3o Paulo (EAESP), em 1954. \u00c9 importante destacar que a FGV escolheu essa cidade, considerada a capital econ\u00f4mica do pa\u00eds, &#8220;cora\u00e7\u00e3o e c\u00e9rebro da iniciativa privada&#8221;, com intuito de atender \u00e0s expectativas do empresariado. Para a implanta\u00e7\u00e3o da escola, a FGV buscou apoio do governo federal, do Estado de S\u00e3o Paulo e da iniciativa privada.<\/p><p>Para dar in\u00edcio \u00e0s atividades nessa nova Institui\u00e7\u00e3o, a FGV firmou um acordo com a USAID (Desenvolvimento Internacional do Governo dos Estados Unidos). Nesse conv\u00eanio, o governo norte-americano se comprometia a manter, junto a esta escola, uma miss\u00e3o universit\u00e1ria de especialistas em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, recrutados na Universidade Estadual de Michigan. Por outro lado, a FGV enviaria docentes para estudos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, com intuito de preencher os quadros do corpo docente da EAESP. Tal conv\u00eanio revelava a influ\u00eancia do ensino de Administra\u00e7\u00e3o norte-americano na realidade brasileira, evidenciada, sobretudo, por meio dos curr\u00edculos e bibliografias.<\/p><p>A miss\u00e3o universit\u00e1ria norte-americana atuou na EAESP at\u00e9 1965, fornecendo uma forte estrutura acad\u00eamica \u00e0 institui\u00e7\u00e3o que lhe permitiu ocupar uma posi\u00e7\u00e3o dominante entre os cursos de Administra\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds .<\/p><p>Com a cria\u00e7\u00e3o da EAESP, surgiu o primeiro curr\u00edculo especializado em Administra\u00e7\u00e3o, que influenciou, de alguma forma, o movimento posterior nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do Pa\u00eds .<\/p><p>A partir da d\u00e9cada de sessenta, a FGV passou a criar cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de Economia, Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e de Empresas. Em meados dessa d\u00e9cada, iniciou a oferta regular dos cursos de mestrado.<\/p><p>Com a cria\u00e7\u00e3o dos cursos de mestrado, a FGV passou a ser o centro formador de professores para outras institui\u00e7\u00f5es de ensino, no momento em que ocorreu uma enorme expans\u00e3o dos cursos de Administra\u00e7\u00e3o. Como conseq\u00fc\u00eancia dessa expans\u00e3o, na metade da d\u00e9cada de 70, a entidade passou a ministrar um programa de doutorado nessas \u00e1reas.<\/p><p>Outra Institui\u00e7\u00e3o de muita relev\u00e2ncia para o desenvolvimento do ensino de Administra\u00e7\u00e3o tem sido a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que surgiu da articula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos, intelectuais e jornalistas.<\/p><p>A Universidade de S\u00e3o Paulo surgiu em 1934, por meio da aglutina\u00e7\u00e3o de faculdades j\u00e1 existentes e da abertura de novos centros de ensino. Em 1946, foi criada a Faculdade de Economia e Administra\u00e7\u00e3o (FEA), que tinha por objetivo formar funcion\u00e1rios para os grandes estabelecimentos de Administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e privada .<\/p><p>A cria\u00e7\u00e3o da FEA se deve principalmente ao grande surto de industrializa\u00e7\u00e3o, quando surgiram empresas movimentando vultosos capitais que exigiram, para sua gest\u00e3o, t\u00e9cnicas altamente especializadas.<\/p><p>Assim como a FGV, por meio da EBAP e da EAESP, tamb\u00e9m a Faculdade de Economia e Administra\u00e7\u00e3o foi criada com um objetivo pr\u00e1tico e bem definido: atender, por meio da prepara\u00e7\u00e3o de recursos humanos, \u00e0s demandas oriundas do acelerado crescimento econ\u00f4mico .<\/p><p>Foram os interesses p\u00fablicos e privados que influenciaram na cria\u00e7\u00e3o da FEA. Segundo Martins, o objetivo era de prestar colabora\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas privadas e a todos os \u00f3rg\u00e3os do servi\u00e7o p\u00fablico<\/p><p>Desde o in\u00edcio, a institui\u00e7\u00e3o procurou criar rela\u00e7\u00f5es principalmente com a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica local. Estabeleceu contato com a Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias, com a Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Estado e com a iniciativa privada. Tais rela\u00e7\u00f5es permitiram que o quadro de professores desenvolvesse, al\u00e9m de suas fun\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas, um trabalho de assessoria junto a organismos privados e na administra\u00e7\u00e3o estatal.<\/p><p>No interior da FEA, foram criados institutos que desempenharam um papel estrat\u00e9gico para sua articula\u00e7\u00e3o com o campo do poder econ\u00f4mico, na medida em que passou a prestar servi\u00e7os a organismos p\u00fablicos e privados.<\/p><p>\u00c9 importante mencionar o Instituto de Administra\u00e7\u00e3o, criado em 1946, que, juntamente com a FEA, foi, at\u00e9 1966, muito importante na orienta\u00e7\u00e3o de projetos e pesquisas para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e estatal.<\/p><p>A FEA, nos seus primeiros 20 anos, possu\u00eda apenas os cursos de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e Ci\u00eancias Cont\u00e1beis, e n\u00e3o oferecia os Cursos de Administra\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, ambos os cursos evidenciavam um conjunto de disciplinas que tratava de quest\u00f5es administrativas. O Instituto de Administra\u00e7\u00e3o tinha por objetivo realizar pesquisas na \u00e1rea. Essa orienta\u00e7\u00e3o permitiu o surgimento da Revista de Administra\u00e7\u00e3o, por meio do Departamento de Servi\u00e7o P\u00fablico.<\/p><p>Somente no in\u00edcio dos anos 60, a FEA sofreu algumas altera\u00e7\u00f5es estruturais, dando origem ao Departamento de Administra\u00e7\u00e3o, composto por disciplinas integradas aos cursos de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e Ci\u00eancias Cont\u00e1beis. Segundo Martins, nessa \u00e9poca, surgiram os primeiros cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da faculdade, inclusive em Administra\u00e7\u00e3o, embora, ainda n\u00e3o existisse o curso de gradua\u00e7\u00e3o. Isto s\u00f3 veio a ocorrer em 1963, quando a faculdade passou a oferecer os cursos de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas e de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p><p>\u00c9 importante considerar que, enquanto a cria\u00e7\u00e3o da EBAP e EAESP correspondeu a um momento hist\u00f3rico, em que o segundo Governo de Get\u00falio Vargas procurou conduzir uma pol\u00edtica econ\u00f4mica, baseada na cria\u00e7\u00e3o de empresas estatais e empresas privadas nacionais, retomando o tema do nacionalismo, a cria\u00e7\u00e3o do curso de Administra\u00e7\u00e3o da FEA coincidiu com um momento em que a grande empresa estrangeira havia se consolidado no mercado interno nacional.<\/p><p>A partir de 1972, o Instituto de Administra\u00e7\u00e3o foi reestruturado, passando a ligar-se ao Departamento de Administra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o mais a um grupo de disciplinas. Seu principal objetivo tem sido o de prestar servi\u00e7os a entidades p\u00fablicas e privadas, realizando pesquisas e treinamento de pessoal. Segundo Martins, os servi\u00e7os prestados geraram um fundo de pesquisa, transformando-o em um \u00f3rg\u00e3o captador de recursos no interior da FEA.<\/p><p>Observa-se tamb\u00e9m que a cria\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o dos cursos de Administra\u00e7\u00e3o na sociedade brasileira, no seu primeiro momento, se deram no interior de Institui\u00e7\u00f5es Universit\u00e1rias, fazendo parte de um complexo de ensino e pesquisa. Essas escolas transformaram-se em p\u00f3los de refer\u00eancia para a organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento desse campo.<\/p><p>No final dos anos 60, a evolu\u00e7\u00e3o dos Cursos de Administra\u00e7\u00e3o ocorreria, n\u00e3o mais vinculada a Institui\u00e7\u00f5es Universit\u00e1rias, mas \u00e0s Faculdades Isoladas que proliferaram no bojo do processo de expans\u00e3o privatizada na sociedade brasileira.<\/p><p>Essa expans\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es ocorridas no plano econ\u00f4mico. A partir da d\u00e9cada de 60, o estilo de desenvolvimento privilegiou as grandes unidades produtivas na economia do pa\u00eds. Ocorreu o crescimento acentuado das grandes empresas, principalmente estrangeiras e estatais, permitindo a utiliza\u00e7\u00e3o crescente da t\u00e9cnica. Isso implicou diretamente a necessidade de profissionais com treinamento espec\u00edfico para executar diferentes fun\u00e7\u00f5es internas das organiza\u00e7\u00f5es. Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, as grandes empresas passaram a adotar a profissionaliza\u00e7\u00e3o de seus quadros, tendo em vista o tamanho e complexidade das estruturas. Isso veio constituir um espa\u00e7o potencial para a utiliza\u00e7\u00e3o dos Administradores que passaram pelo sistema escolar.<\/p><p>Com as mudan\u00e7as econ\u00f4micas, um novo acontecimento acentuou a tend\u00eancia \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o do Administrador: a regulamenta\u00e7\u00e3o dessa atividade, que ocorreu na metade da d\u00e9cada de 60, pela Lei n\u00ba 4.769, de 9 de setembro de 1965. A presente Lei, no seu artigo 3\u00ba, afirma que o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o de T\u00e9cnico em Administra\u00e7\u00e3o \u00e9 privativo dos Bachar\u00e9is em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica ou de Empresas, diplomados no Brasil, em cursos regulares de ensino superior, oficial, oficializado ou reconhecido, cujo curr\u00edculo seja fixado pelo Conselho Federal de Educa\u00e7\u00e3o, nos termos da Lei n\u00ba 4.024, de 20 de dezembro de 1961, que fixa as Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o no Brasil. Isso veio ampliar um vasto campo de trabalho para a profiss\u00e3o de Administrador.<\/p><p>No ano seguinte \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, por meio do Parecer n\u00ba 307\/66, aprovado em 8 de julho de 1966, o Conselho Federal de Educa\u00e7\u00e3o fixou o primeiro curr\u00edculo m\u00ednimo do curso de Administra\u00e7\u00e3o. Dessa forma, foram institucionalizadas, no Brasil, a profiss\u00e3o e a Forma\u00e7\u00e3o de T\u00e9cnico em Administra\u00e7\u00e3o .<\/p><p>As diretrizes do parecer se inspiraram na an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es reais da Administra\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds e nos postulados que emanavam da lei e da doutrina fixada na experi\u00eancia nacional e internacional.<\/p><p>Tal curr\u00edculo procurou agrupar mat\u00e9rias de cultura geral, objetivando o conhecimento sistem\u00e1tico dos fatos e condi\u00e7\u00f5es institucionais em que se inseria o fen\u00f4meno administrativo; mat\u00e9rias instrumentais, oferecendo os modelos e t\u00e9cnicas de natureza conceitual ou operacional, e mat\u00e9rias de forma\u00e7\u00e3o profissional.<\/p><p>Com a liberdade dada pelo curr\u00edculo, as escolas poderiam ministrar as mat\u00e9rias do curr\u00edculo m\u00ednimo com diferentes dosagens de tempo e de acento quanto aos objetivos, assim como organizar cursos ou semin\u00e1rios de aplica\u00e7\u00e3o mais restrita ou especializada.<\/p><p>Tem-se de superar certa tend\u00eancia atom\u00edstica que decomp\u00f5e o curr\u00edculo em todos os elementos que poder\u00e1 abranger, adicionados, depois, como mat\u00e9rias aut\u00f4nomas: \u00e9 a tend\u00eancia prevalecente ao longo da tradi\u00e7\u00e3o educacional, a que se deve a excessiva densidade dos planos de estudo. Dentro dessa orienta\u00e7\u00e3o, mais ou menos mec\u00e2nica, torna-se impratic\u00e1vel a redu\u00e7\u00e3o, salvo por processo igualmente mec\u00e2nico que elimina, mutilando.<\/p><p>De acordo com o Parecer n\u00ba 307\/66, o curr\u00edculo m\u00ednimo do curso de Administra\u00e7\u00e3o, que habilita ao exerc\u00edcio da profiss\u00e3o de T\u00e9cnico de Administra\u00e7\u00e3o, seria constitu\u00eddo das seguintes mat\u00e9rias:<\/p><ul><li>Matem\u00e1tica<\/li><li>Estat\u00edstica<\/li><li>Contabilidade<\/li><li>Teoria Econ\u00f4mica<\/li><li>Economia Brasileira<\/li><li>Psicologia Aplicada \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o<\/li><li>Sociologia Aplicada \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o<\/li><li>Institui\u00e7\u00f5es de Direito P\u00fablico e Privado (incluindo No\u00e7\u00f5es de \u00c9tica Administrativa)<\/li><li>Legisla\u00e7\u00e3o Social<\/li><li>Legisla\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria<\/li><li>Teoria Geral da Administra\u00e7\u00e3o<\/li><li>Administra\u00e7\u00e3o Financeira e Or\u00e7amento<\/li><li>Administra\u00e7\u00e3o de Pessoal<\/li><li>Administra\u00e7\u00e3o de Material<\/li><\/ul><p>Al\u00e9m desse elenco de mat\u00e9rias, tornava-se obrigat\u00f3rio o Direito Administrativo, ou Administra\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o e Administra\u00e7\u00e3o de Vendas, segundo a op\u00e7\u00e3o do aluno. Os alunos tamb\u00e9m tinham de realizar um est\u00e1gio supervisionado de seis meses para obter o diploma.<\/p><p>A partir dessa regulamenta\u00e7\u00e3o, procurou-se instituir organismos que controlassem o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o. Foram criados, ent\u00e3o, os Conselhos Regionais de Administra\u00e7\u00e3o (CRAs).<\/p><p>A fun\u00e7\u00e3o de tais organismos era de fiscalizar o desempenho da profiss\u00e3o e expedir as carteiras profissionais. S\u00f3 poderiam exercer a profiss\u00e3o aqueles que fossem registrados nos CRAs. Esse organismo passaria a ter um forte controle sobre as condi\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 profiss\u00e3o .<\/p><p>Isso nos mostra que a regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de Administrador, ao institucionalizar que o seu exerc\u00edcio seria privativo daqueles que possu\u00edam t\u00edtulo de bacharel em Administra\u00e7\u00e3o, contribuiria de forma acentuada para a expans\u00e3o desses cursos.<\/p><p>Outro fator que contribuiu significativamente nesse processo de profissionaliza\u00e7\u00e3o foram as leis da Reforma do Ensino Superior. Essas leis estabeleceram claramente n\u00edveis de ensino tipicamente voltados \u00e0s necessidades empresariais, assim como possibilitaram o surgimento de Institui\u00e7\u00f5es privadas, que, juntamente com as Universidades, pudessem corresponder \u00e0 grande demanda de ensino superior desde a d\u00e9cada de 50 .<\/p><p>A Lei n\u00ba 5.540, nos seus artigos 18 e 23, afirma que: &#8220;os cursos profissionais poder\u00e3o, segundo a \u00e1rea abrangida, apresentar modalidades diferentes quanto ao n\u00famero e a dura\u00e7\u00e3o, a fim de corresponder \u00e0s profiss\u00f5es reguladas em Lei: As Universidades e os estabelecimentos isolados poder\u00e3o organizar outros cursos para atender \u00e0s exig\u00eancias de sua programa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e fazer face \u00e0 peculiaridade do mercado de trabalho regional&#8221;.<\/p><p>Tais acontecimentos repercutiram significativamente, uma vez que, em um intervalo de 30 anos, o ensino de Administra\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou uma dimens\u00e3o significativa na sociedade brasileira, considerando que contava com dois cursos apenas em 1954, o da EBAP e o da EAESP, ambos mantidos pela FGV. Na Tabela 1.1, pode-se verificar a evolu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de cursos das d\u00e9cada de 60, 70, 80 e 90 .<\/p><p>TABELA 01 &#8211; N\u00famero de cursos segundo as d\u00e9cadas de 60, 70, 80, 90 e 2000.<\/p><p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0D\u00c9CADAS<\/strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<strong>N\u00daMERO DE CURSOS<\/strong><\/p><ul><li>Antes de 1960\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a02<\/li><li>1960\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 31<\/li><li>1970\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 247<\/li><li>1980\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 305<\/li><li>1990\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 823<\/li><li>2000\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 1.462<\/li><li>2010\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 1.805<br \/>Fonte: MEC &#8211; Dados compilados pelo Conselho Federal de Administra\u00e7\u00e3o.<\/li><\/ul><p>Essa rela\u00e7\u00e3o entre pr\u00e1tica profissional e a obten\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo espec\u00edfico impulsionou aqueles que aspiravam a ter acesso a fun\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-administrativas, em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ou privados, a ingressar em centros de ensino que oferecessem tal habilita\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m aqueles que j\u00e1 desenvolviam tais atividades no mercado profissional foram estimulados a buscar o t\u00edtulo universit\u00e1rio para obter promo\u00e7\u00f5es.<\/p><p>Um dos aspectos que merece ser destacado na expans\u00e3o dos cursos de Administra\u00e7\u00e3o \u00e9 a consider\u00e1vel participa\u00e7\u00e3o da rede privada nesse processo, ocorrido a partir do final dos anos 70. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, o sistema particular era respons\u00e1vel por aproximadamente 79% dos alunos, ficando o sistema p\u00fablico com o restante. O mesmo ocorre nas demais \u00e1reas do conhecimento, onde a distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 de 61% para a rede privada.<\/p><p>Ao contr\u00e1rio das primeiras escolas, que nasceram pr\u00f3ximas aos campos do poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico, as novas escolas, de maneira geral, nasceram eq\u00fcidistantes das expectativas e dos grupos que ocupam posi\u00e7\u00f5es dominantes nesses campos. Essas escolas surgiram a partir da iniciativa daqueles que atuavam no setor educacional, aproveitando o momento em que o Estado p\u00f3s-64 abriu um grande espa\u00e7o para a iniciativa privada, visando a atender \u00e0 crescente demanda de acesso ao ensino de 3\u00ba grau.<\/p><p>A abertura dos cursos apresentava-se vantajosa, uma vez que poderiam ser estruturadas sem muitos disp\u00eandios financeiros. Tais cursos buscavam uma certa rentabilidade acad\u00eamica, procurando adaptar suas pr\u00e1ticas acad\u00eamicas aos grandes centros que desfrutam de maior legitimidade.<\/p><p>Observa-se uma rela\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica, em que as primeiras escolas de Administra\u00e7\u00e3o, como tend\u00eancia, t\u00eam produzido para o setor p\u00fablico e privado uma elite administrativa vinculada aos p\u00f3los dominantes dos campos do poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Por outro lado, as novas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam produzido os quadros m\u00e9dios para as burocracias p\u00fablicas e privadas que, em fun\u00e7\u00e3o de sua complexidade, necessitam de pessoal para suas rotinas, isto \u00e9, um pessoal treinado para quest\u00f5es econ\u00f4mico-administrativas .<\/p><p>Outro fator, tamb\u00e9m fruto da expans\u00e3o dos cursos de Administra\u00e7\u00e3o na sociedade brasileira, \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o desse ensino em determinadas regi\u00f5es. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, as regi\u00f5es Sudeste e Sul respondiam por 80.722 alunos e 81% de todo o ensino de Administra\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. Esses dados indicam uma forte preval\u00eancia das regi\u00f5es de maior concentra\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o produtiva, onde se localizam as maiores oportunidades em termos de mercado de trabalho para essa profiss\u00e3o.<\/p><p>Isto mostra que a preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve estar apenas voltada \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de profissionais para as empresas privadas. No momento em que o Brasil se encaminha para uma sociedade democr\u00e1tica, parece oportuno defender a forma\u00e7\u00e3o de um profissional capaz de atuar em outras formas organizacionais, tais como: associa\u00e7\u00f5es de bairros, cooperativas, pequenas empresas e outros campos novos \u00e0 espera de formas organizacionais inovadoras, al\u00e9m do seu tradicional campo nas empresas.<\/p><p><a href=\"http:\/\/hostgator.cfa.org.br\/cramodelo\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/jubileu50anos_completo_segunda.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui e confira publica\u00e7\u00e3o do CFA que trouxe informa\u00e7\u00f5es da profiss\u00e3o e do Sistema CFA\/CRAs<\/a><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-38ceed2 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"38ceed2\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3ac6c63\" data-id=\"3ac6c63\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-90da6f2 elementor-widget elementor-widget-spacer\" data-id=\"90da6f2\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"spacer.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-spacer\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-spacer-inner\"><\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cursos de Administra\u00e7\u00e3o no Brasil t\u00eam uma hist\u00f3ria muito curta, principalmente se comparamos com os EUA, onde os primeiros cursos na \u00e1rea se iniciaram no final do s\u00e9culo XIX, com a cria\u00e7\u00e3o da Wharton School, em 1881. Em 1952, ano em que se iniciava o ensino de Administra\u00e7\u00e3o no Brasil, os EUA j\u00e1 formavam<a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/crarn.org.br\/?page_id=54854\"> [&hellip;]<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"parent":54846,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"class_list":["post-54854","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crarn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/54854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crarn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/crarn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crarn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crarn.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=54854"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/crarn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/54854\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62282,"href":"https:\/\/crarn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/54854\/revisions\/62282"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crarn.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/54846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crarn.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=54854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}